A Profª Cláudia Lima Marques Recebe Ordem ao Mérito do Governo Alemão

É com enorme satisfação que informamos que o Presidente da Alemanha Joachim Gauck, distinguiu a Profa. Dra. Claudia Lima Marques com a Ordem ao Mérito do Governo Alemão (Bundesverdienstkreuz am Bande) por suas atividades e esforços a favor do diálogo Brasil-Alemanha e a divulgação da ciência alemã no Brasil e na América Latina.
A “Bundesverdienstkreuz” é a única comenda alemã, criada em 1951 pelo Presidente Theodor Heuss e o Primeiro Ministro Konrad Adenauer, e hoje é divida em 3 Classes e 8 graus, sendo o grau recebido pela jurista brasileira e Professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com doutorado em Heidelberg, Mestrado em Tübingen e Especialização em Saarbrücken, da classe internacional de Cavaleiro (“Ritter”).
Agradecimento à Ordem Cruz ao Mérito (Bundesverdienstkreuz am Bande) da República Federal da Alemanha: Caminhos, Encontros e Diálogos
Por Profa. Dra. Claudia Lima Marques, Professora Titular da UFRGS, Porto Alegre, Brasil
Magnífico Senhor Reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Prof. Dr. Carlos Alexandre Netto,
Excelentíssimo Sr. Consul-Geral da República Federal da Alemanha, Hans-Josef Over,
Excelentíssimo Sr. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, do Superior Tribunal de Justiça, Brasília
Exmo. Sr. Diretor da Faculdade de Direito da URGS, Prof. Dr. Danilo Knijnik, na pessoa de quem saúdo e homenageio os demais ex-diretores e vice-diretores desta casa,
Excelentíssima Sra. Edi Mussoi, Presidente do Movimento de Donas de Casa e Consumidor do Rio Grande do Sul, neste ato representando a digníssima Presidente do Forum Nacional das Entidades Civis de Defesa do Consumidor, Dr. Rosana Grinberg,
Excelentíssima Sra. Clarissa Costa de Lima, digna Presidente do Brasilcon, Instituto Brasileiro de Política e Direito do Consumidor,em nome de quem saudo a todas as demais autoridades presentes e já nominadas
Queridos familiares, colegas e amigos ,
Caríssimos estudantes e funcionários
Senhoras e senhores,
É com grande honra e alegria, que recebo esta comenda do Presidente da República Federal da Alemanha, a Bundesverdienstkreuz am Bande.
A Ordem ao Mérito do Governo Alemão foi criada em 1951 para distinguir pessoas do povo, acadêmicos e estadistas por suas atividades e esforços a favor do diálogo e do entendimento no mundo, por sua contribuição à divulgação da ciência alemã e a melhoria das condições de vida das populações.
Ver-dienst, é mérito através de algo (Ver), mérito pelo serviço (Dienst). Se tenho algum mérito foi de tentar utilizar o que apreendi na própria Alemanha para servir aos outros, à ciência do Direito e ao meu país, fomentando e consolidando o diálogo entre a Alemanha e a nossa Faculdade de Direito, expandindo o diálogo já existente com outros juristas latinoamericanos.
Neste sentido, eu interpreto nesta Condecoração uma homenagem do governo alemão não só a mim e minha família, que muito agradeço, mas ao permanente intercâmbio científico entre a Faculdade de Direito da UFRGS e as Universidades Alemãs. Intercâmbio, que foi construído e moldado por pioneiros, entre os quais destacam-se Ruy Cirne Lima, Clóvis do Couto e Silva, Franz August Gernot Lippert, Almiro do Couto e Silva, Paulo Alberto Pasqualini,Manoel André da Rocha, Sérgio José Porto e o também distinguido pela Bundesverdienstkreuz, ex-Diretor desta casa, Prof. Peter Walter Ashton, a quem homenageio, assim como a senhora sua esposa, minha primeira professora de alemão, Prof. Ina Ashton, aqui presentes.
Permitam-me assim agradecer esta condecoração da Ordem ao Mérito do Governo Alemão, que tanto significa para mim e minha família, com uma metáfora[alemã]: a da Viagem de Formação (a Bildunsgreise ou Wanderungsjahre).
Efetivamente, foi a minha estada na Alemanha que me formou como hoje sou: foi uma viagem do conhecimento. Estes Wanderungjahre foram ao total mais de 5 anos! A expressão ‘Wanderung’, não tem tradução precisa em português, pode ser desde um passeio inspirador nos bosques e belos caminhos nos arredores da cidade, mas ‘Wanderung’ pode significar também uma viagem de anos (como na obra de Goethe [Wilhelm Meisters Wanderungsjahre)], com constantes viagens de trabalho (Geschäftsreise) e de formação acadêmica (Bildunsgreise)…assim como vivi.
A metáfora do Wanderungaponta, desde o início da era moderna, a caminhos novos e diferentes, caminhos e viagens que enriquecem as pessoas, levam a encontros, encontros com outras culturas, com outras cidades e com pessoas distintas.Caminhos que formam e renovam quem caminha, que ‘revolucionam’ e conquistam quem ousa sair do conhecido para o desconhecido, quem como eu deixei aos 21 anos, recém formada nesta Faculdade de Direito, para ir estudar na Alemanha.
O resultado é a mudança, a formação diferenciada, a multiplicidade de chances, de encontros e amizades, em resumo: a possibilidade de diálogo, diálogo cultural e científico edificante e formador, diálogo de mão dupla, diálogo com respeito e admiração, diálogo entre diferentes e iguais, que queria agradecer sensibilizada aos amigos e mestres alemães!
Esta honra me engalana, alegra a mim e a todos na minha família e coroa um caminhar, que não seria a viagem magnífica que foi, não fossem os encontros eos diálogos que proporcionou, criando uma verdadeira rede nacional e internacional de cooperação acadêmica, que queria ressaltar na segunda parte deste agradecimento.
Assim, o título deste discurso deve ser ele próprio umagradecimento: caminhos, encontros e diálogos Brasil-Alemanha. Os quais ilustrarei na metáfora de um passeio ou Wanderung pela minha Alemanha…, pelas cidades nas que passei, onde encontrei meus mestres e amigos, onde me formeie dialoguei, pesquisando, enviando e recebendo estudantes e professores.As bases concretas são sempre lugares e pessoas, que como ilhas e pontes neste caminhar da vida, atravessei: Freiburg am Breisgau, Tübingen, Saarbrücken e Heidelberg.
I – Caminhos e encontros: da Faculdade de Direito da UFRGS à Alemanha
Na vida não se escolhem os caminhos, os caminhos parecem nos escolher.A vida nos leva a maravilhosas surpresas, como foi estudar na Alemanha para mim. Eu que no quarto ano desta Faculdade estava matriculada na Universidade de Lille, França e que sequer falava alemão. Assim a minha viagem para a Alemanha começou mesmo na Biblioteca da Faculdade de direito onde conheci, por indicação dos Professores Almiro do Couto e Silva, Peter Walter Ashton, José Sperb Sanseverino e Sérgio José Porto, a quem muito agradeço, o professor alemão Michael Will, que nos visitava para uma pesquisa sobre a adoção internacional. Devo a este magnífico professor alemão, Michael R. Will, a minha ida para Alemanha.
Quando cheguei à Freiburg am Breisgau, com sua catedral maravilhosa, cercada de pequenas casas burguesas medievais reconstruídas, com seus córregos e canais milenares, meu fôlego quase faltou: que beleza, que força, que cultura este povo tem para depois da destruição da guerra e das atrocidades do regime, reconstruir-se, alcançar novamente a beleza e a sabedoria, manter e policiar a democracia, aproximar-se dos vizinhos, França e Suíça, receber tantos asilados do comunismo, que comigo viviam na Thomas Morus Burse, uma casa de estudantes dedicada ao autor da ‘Utopia’.
U-topos, o lugar, topos,que não está: a Alemanha para mim, com suas bibliotecas magníficas e lotadas, com seus institutos de pesquisa, a hora marcada para os encontros semanais entre professores e alunos (Sprechstunde), com os grupos de leituras, as discussões científicas profundas, com os novos métodos de ensino e a pesquisa do futuro, parecia uma Utopia!
Freiburg com seu sol e a beleza da Floresta Negra era uma grande porta de entrada para a Alemanha de 1986. Lá tive a honra de trabalhar no Max-Planck Institut com o Prof. Dr. Dr. h. c. Peter Huenerfeld. Lá conheci amigos que me acompanham até hoje, como Walter Volkmann, grande líder gaúcho entre os professores de alemão, e a saudosa amiga alemã, Nicolina Hospach, jurista brilhante, que me ensinou que a amizade na Alemanha é o bem mais precioso e que uma vez conquistado, a generosidade não tem limites.
Se foi por convite do Prof. Michael R. Will, a quem tive a honra de ser assistente de pesquisa, que cheguei à Freiburg im Breisgau para aprender alemão. Comparo a generosidade desta bela cidade sofridae aberta para o mundo a generosidade de meus professores nesta Faculdade, em especial de Franz August Lippert, que nos ensinou o Direito Civil acompanhando nossa turma até a formatura, e que foi com justiça nosso homenageado por sua competência, humanismo e dedicação. Franz August Lippert foi uma verdadeira ponte entre Alemanha e Brasil. Um imigrante alemão fugido da guerra e da estatização de suas terras, professor que ajudou a criar em nossa turma- da qual destaco os amigos Silvia Cappelli, ex-Presidente do Planeta Verde, José Angelo Faria, hoje dirigindo o UNIDROIT, Paulo Valério Dal Pai Moraes, Vice-Presidente do Brasilcon-RS e nosso monitor, Almir Porto da Rocha Filho -, ajudou a criarem nós o respeito pelo outro e a procura da excelência, mesmo frente à adversidade de tempos de ditadura. Ao Prof. Lippert e todos os nossos dedicados professores da UFRGS da década de 1980,meu agradecimento sincero e minhas profundas homenagens!
Tübingenfoi a segunda parada de minha viagem, onde tive a honra de estudar com o jus-historiador Prof. Dr. Wolfgang Knutt Noor e concluir ali meu mestrado em Direito Civil e Direito Internacional Privado. Pequena cidade incravada em belos montes da Suávia, Tubinga é de uma beleza impar, com suas pequenas casas eixamel, anteriores ao descobrimento do Brasil, coroadas por ruas tortuosas e uma excepcional Faculdade de Direito, fundada em 1477, onde os Pandectistas reinaram e deixaram seu legado na magnífica Biblioteca.
Em Tübingen descobri a beleza e a força do direito alemão, a profundidade de seus estudos e as dificuldades de se aprender tanta sabedoria em pouco tempo.Agradeço ao Prof. Titular Sérgio José Porto, eméritoDiretor desta casa, a quem tive a honra de servir na Consultoria Jurídica do Ministério de Justiça e mais tarde como colega de escritório, a lição que na impossibilidade de tudo saber e apreender, se deve apreender o método, o saber-fazer, o caminho do conhecimento. Desvendar o caminho que levou o outro a avançar já é o início do sucesso! Só o tempo e as horas de leitura e reflexão podem fazer o resto. Agradeço ao Professor Sérgio José Porto o incentivo, as inúmeras ajudas e, nesta viagem,e o comparo à bela Tübingen, centro da construção do Direito Civil mundial, com o rigor pandectista e proximidade da França. Se nunca foi meu professor [em sala de aula], foi sempre o mestre deste meu caminho.
Mas nada se constroi sozinho. Se tive sucesso em Tübingen, que o então Diretor o saudoso Prof. Dr. Clóvis do Couto e Silva – grande artífice da colaboração com a Alemanha – divulgou com tanto orgulho, foi graças aos exemplos positivos que aqui nesta Faculdade apreendi e as lições dos mestres de Direito Internacional da casa, como as do também saudoso Prof. Dr. Elmo Pilla Ribeiro,dos queridos Professores Ivo Sefton de Azevedo e Plauto Faraco de Azevedo. Não posso deixar de mencionar, que ao finalizar meu mestrado, na festa de 1 de maio, um importante encontro aconteceu. Tübingen é romântica, com seu castelo e passeios ao lado do Rio Neckar, a torre de Hölderlin. Lá conheci Johannes Doll, jovem pedagogo nascido em Augsburg, meu marido e companheiro de tantos anos, que me mostrou o humanismo e as belezas dos generosos, daqueles que querem bem aos outros e que estão abertos para a aventura do futuro.
A minha terceira viagem foi Saarbrücken, cidade que já foi francesa e hoje é alemã, próxima também a Luxemburgo. Saar é um forte Rio, Brücken são as suas pontes. Saarbrücken simboliza a Alemanha de hoje, conectada com o mundo e liderando a União Européia. Em Saarbrücken, onde também estudou o querido amigo e colega Manoel André da Rocha, que conheci na Banca de Concurso para professor auxiliar na UFRGS em 1989 e desde então muito admiro e agradeço a sua decisiva ajuda nas relações com a Alemanha. Saarbrückené uma cidade do carvão e do aço, como a primeira Comunidade Européia. Cidade destruída e reconstruída muitas vezes, tantas quantas são estas pontes do Rio Saar.
Saarbrücken abriu-me as portas do estudo interdisciplinar, pois tive a honra de cursar no Europa-Institut um Diploma em História, Direito e Política da Integração Européia, que conclui como Especialização em Integração Européia e que me foi muito útil no trabalho e na agora consultoria ao Ministério da Justiça do Brasil, em várias negociações internacionais, no Mercosul, na OEA e na Conferência de Haia. Se hoje sou da lista de árbitros do Mercosul e Presidente da ASADIP, Associação das 3 Américas que reune Professores de Direito Internacional Privado e diplomatas, devo ao meu ano em Saarbrücken e a segura orientação do Prof. Dr. Michael R. Will, a quem homenageio e agradeço por sempre apoiar-me. No Europa-Institut aprendi a importância de estar aberto para as outras disciplinas e o orgulho de ser uma latinoamericana, uma brasileira de nascimento. Comparo a força e o realismo de Saarbrücken com os meus amigos e co-autores argentinos e brasileiros, que tanto me ajudaram nas relações com a Alemanha, Ricardo Lorenzetti e Diego Fernandes Arroyo, Antônio Herman Benjamin e Rosangela Cavallazzi. A Rosangela Cavallazzi da UFRJ, grande amiga deste caminhar, aqui representando a ASADIP, manifesto em nome de todos, o meu muito obrigado.
Bildungsreisen, viagens de formação não são feitas só de esforço e encontros, necessitam apoio para acontecer. Para realizar meu curso em Saarbücken, tive a honra de trabalhar no Serviço Social Internacional, ISA, Frankfurt, de receber a Bolsa do DAAD, Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico,aos quais gostaria de agradecer penhoradamente, na pessoa do então Diretor Dr. Friedhelm Schwanborn e agradecer os sempre presentes fomentos da CAPES, nas pessoas do saudoso ex-Reitor da UFRGS, Prof. Dr. Tuikcson Dick e do Prof. Dr. Abílio Baeta Neves. Todas estas entidades e pessoas sempre acreditaram em meu potencial e eu esforçei-me por atender suas expectativas.
Chego assim, já professorada UFRGS, para a minha quarta e mais importante viagem: Heidelberg! Semper apertus é o moto de nossa querida Ruperto Carola, esta sempre jovem e viva Universidade de Heidelberg, fundada em 1386. Semper significa sempre: em todo o tempo! Apertus é estar aberto, receptivo e acolhedor, pode significar também a situação do espaço ou a ocasião oposta à de fechado e pequeno.
Isto me faz recordar da primeira vez que visitei Heidelberg, em 1992, para o Encontro Anual da Associação Luso-Alemã de Juristas, a DLJV (Deutsch-Lusitanische Juristenvereinigung), que hoje tenho a honra de ser diretora. Cheguei de trem e através das amplas janelas, pude descobrir o quão bela e verde era a paisagem, o quão viva e ensolarada era essa cidade absolutamente preciosa – com suas montanhas, o Rio Neckar, a maravilhosa Alte Brücke, as belas construções e igrejas, com seus muitos turistas e estudantes, os restaurantes, cafés e bibliotecas. O verdadeiro espírito (“Geist”) de Heidelberg está na sua Universidade, com seu humanismo, inovação, ciência, seus institutos, professores, funcionários e estudantes!
Sempre quis estudar em Heidelberg, influenciada pelo exemplo e competência do Prof. Almiro do Couto e Silva, que lá estudou em 1962 a quem reverencio. Como Diretor da Faculdade ajudou com seu humanismo a todos, e eu fui apenas mais uma das que se beneficiaram de sua generosidade e excelência reconhecida internacionalmente. Efetivamente, em Heidleberg estudaram muitos dos maiores juristas de todos os tempos, cujo conhecimento e ciência ecoam até hoje no Brasil – Thibaut, Bluntschli, Windscheid, Karlowa, Gierke, Meyer, Jellinek, Radburch, Gutzwiller, Engish, Forsthoff-, para citar alguns nomes que conheci enquanto estudante. Ali fiz meu doutorado e pós-doutorado, sempre apoiada com bolsas do DAAD-CAPES e posso afirmar:Augustinergasse, 9 é o endereço da sabedoria e da abertura para o mundo!
Foi um grande prazer e honra poder fazer o meu doutorado com o Prof. Dr. Dr. h. c. mult. Erik Jayme (Doctor honoris causa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul) de 1994 à 1996. Seus trabalhos sobre os reflexos da pós-modernidade sobre a ciência do nos revelaram uma nova dimensão mais social e cultural do Direito. Com Erik Jayme e singular brilhantismo aprendi que o respeito à identidade cultural de pessoas, dos grupos e dos Estados e o retorno da consciência do próprio idioma, da história, da tradição e das diferenças culturais e vulnerabilidades de cada indivíduo sãoos contrafreios necessários à interdependência globalizada de Estados e mercados cada vez mais homogêneos, poderosos e conectados de nossos tempos. Ao Professor Erik Jayme, que reúne as qualidades de minha segunda Alma mater: Semper apertus, generoso e inteligente, como o vivo espírito da ciência, queria sinceramente agradecer e homenagear este brilhante jurista alemão! Ele é, para mim, a verdadeira fonte do diálogo Brasil-Alemanha.
Chegamos ao final e ao início desta viagem, de encontros e agora de diálogos. Retornando da Alemanha, os colegas e professores sempre honram-me com uma constante e bilateral cooperação acadêmica, recebendo e enviando estudantes, colegas e pós-graduandos. Um diálogo que me honra e me homenageia, um diálogo que pude compartilhar com outros brasileiros e que foi em verdade o meu segundo caminhar.
II. Diálogos e cooperação internacional: Diálogo Brasil-Alemanha
Di- a- logos, duas lógicas, fascinação e curiosidade pelo diferente, uma harmonia, uma síntese das culturas e sabedorias que se encontram, dialogam e iluminam a solução dos conflitos. No mundo globalizado, a capacidade de ver e entender o outro pode ser decisiva, e o respeito à identidade cultural das pessoas e povos é como uma ponte para o diálogo e crescimento pessoal e intelectual. As lógicas que se unem são como pedaços e pedras deste mosaico de culturas, que se revela apenas na cooperação.
Devo muito à Alemanha, ao seu povo, a sua profunda ciência e sólida academia. Resumindo, de meus caminhos na Alemanha sai não só com títulos, mas com amigos, contactos e queridos colegas professores, assistentes e orientandos brilhantes, que ainda com hoje comigo colaboram e pesquisam, em especial, queria agradecer e homenagear os colegas que conheci na época do doutorado, os colegas alemães Christoph Benicke, da Universidade de Giessen e Heinz-Peter Mansel, da Universidade de Colônia e a querida colega japonesa, Yuko Nishitani, que comigo colaboram até hoje.
Com Chritoph Benicke, professor titular da parceira Universidade de Giessen, onde ensinou Rudolph von Jhering, foi possível organizar um Programa UNIBRAL que com fomento do DAAD e CAPES por 5 anos, continua hoje com a ajuda dos Professores Kümpel, Hamme, Marauhn e Schapp, em Giessen, Augusto Jaegger Jr., Manoel André da Rocha, José Alcebíades de Oliveira Júnior, Cezar Saldanha de Souza Jr. e Sérgio José Porto, o qual permitiu a formação de mais de 26 alunos de nossa Faculdade e a vinda de 22 alunos de Giessen e Heidelberg. Hoje em nossa Faculdade temos 3 alunos alemães da graduação, 2 de Giessen e um de Heidelberg e um doutorando, Michel Lichtemberg, em nome de quem homenageio todos os alunos que escolheram a UFRGS para sua formação e desejo a todos muito sucesso. Em breve teremos um PROBAL II, liderado pelo Prof.Dr. Augusto Jaegger Júnior, que tive a honra de orientar junto com o Prof. Dr. Dr. h. c. Multi Erik Jayme no doutorado e agora engalanta-me com a continuação segura destes intercâmbios com a Alemanha.
Devo agradecer também as visitas, cursos e conferências precisosas de outros grandes mestres alemães, que iluminam até hoje este Salão Nobre, e que com sua simpatia para com o Brasil e aciência jurídica brasileira muitas vezes estiveram em Porto Alegre e no Brasil, destaco em especial, os Professores Herbert Kronke, Christian Müller-Graff e de Heidelberg, os Profs. Christoph Benicke, Jan Schapp, e Hamme de Giessen, o Prof. Hans-Uwe Ehrichsen de Muenster. Em Heidelberg, esta bela, preciosa e global cidade alemã, pude conhecer os colegas Diretores da Associação Luso-Alemã de Juristas, a DLJV, Steffan Grundman, da Humbolt Universität, Berlin e Christian Baldus de Heidelberg. A Associação Luso-Alemã de Juristas tem em Erik Jayme seu presidente de honra, mas o seu baluarte lusitano maior, modelo para todos nós, é o meu querido Professor do Europa-Institut de Saarbrücken, Manoel Malheiros, atual Diretor, a quem agradeço e homenageio pelas lições e pela sempre presente colaboração. Aproveito para convidar a todos a participar desta importante associação científica que congrega juristas e diplomatas de todos os países de língua portuguesa e os mais renomados juristas alemães. Fico especialmente feliz, que com a ajuda da DLJV e do DAAD professores visitantes alemães, tenham podido ministrar aulas na Faculdade de Direito da UFRGS, como a Dra. Harriet Christiane Zitscher, Dr. Ulrich Wehner e o Dr. Thomas Richter, hoje na USP.
Neste mosaico de colaborações é o momento de destacar o talento de meus atuais e antigos alunos também ligados à Alemanha. De Heidelberg e hoje de Giessen, recebemos por um ano excelentes alunos da graduação na Faculdade de Direito da UFRGS, como Christian Schindler, Carl-Friedrich Nordmeier e Benjamin Herzog, que nos orgulham com suas conquistas e seus sucessos na Alemanha e no mundo. É especialmente emocionante constatar que Christian Schindler, ex-secretario da Associação Luso-alemã de juristas, em meio a sua agenda apertada como Diretor de acordos internacionais do Instituto de Regulação do Sistema Financeiro e Bolsas de Valores da Alemanha, o BAFIN em Frankfurt, encontrou tempo para prestigiar a esta cerimônia e representar aqui a DLJV, o que muito me honra. Mencione-se que os colegas de Heidelberg e Giessen aceitaram receber muitos de nossos mais brilhantes alunos e atuais professores, como Augusto Jaegger Jr., Lisiane Ody, Fabiano Menke e Marcelo Schenkel Duque, a demonstrar que a cooperação acadêmica deve ser realmente bilateral para ser exitôsa.
Mas a cooperação internacional só existe com o engajamento de todos, neste sentido gostaria de agradecer aos estudantes e pesquisadores do grupo de pesquisa CNPq “Mercosul e Direito do Consumidor”, que tenho a horna de liderar, nas pessoas de Maitê Schmitt e Pedro Montenegro, que nos orgulham hoje no corpo diplomático brasileiro e de Fabiana D’Andrea Ramos e Lucas Lixinski, respectivamente professores da Universidade Federal Fluminense, Niterói e na Universidade de South Walles, Sidney, Austrália, que como tantos, nestes mais de 22 anos dedicados à UFRGS, Elaine Ramos da Silva, Fabio Morosini, Bruno Miragem, Daniela Jacques, Fernanda Barbosa, Sandra L. Alves Montenegro, Marília Zanchet, Ana Gerdau de Borja, Carolina Paranhos, Tâmara Biolo, Luciana Quinto, Iulia Dolganova, Simone Backes, Thomas Araújo Santos, Fernando Bordin para citar alguns, não só ganharam valiosos prêmios de iniciação científica, mas muito me ajudaramem minhas pesquisas: sua parceria, curiosidade e incentivo foram decisivos e aqui vai renovado, o meu muito obrigado.
A cooperação internacional só existe com esforço e compreensão de todos os envolvidos, neste sentido queria agradecer muito a todos os funcionários da Faculdade de Direito, na pessoa da querida Ades Sanchez y Vacas, por sua ajuda e dedicação ímpar e a querida Marinha Aranha Rocha, funcionária émerita da UFRGS, o sempre presente apoio de nossos excelentes técnicos administrativos.
A cooperação internacional exige generosidade e visão, assim além de todos os mestres mencionados queria agradecer sinceramente aos colegas professores de UFRGS, na pessoa do Prof. Ruy Rosado de Aguiar, modelo de jurista e ser humano, sempre aberto a receber os grandes nomes que a Alemanha nos brindou e a ajudar todos os colegas e estudantes.Visão que as instituições que me receberam e me apoiaram sempre tiveram, em um constante apoio e comprensão da importância da missão. Em especial, gostaria de agradecer o apoio ao Brasilcon (Instituto Brasileiro de Política e Direito do Consumidor), na pessoa de seu Diretor Oscar Ivan Prux, que veio do Paraná para prestigiar esta cerimônia,aos colegas do Instituto o Direito por um Planeta Verde, na pessoa do Des. Eladio Lecey, que assim como os colegas da OAB-RS, que homenageio na pessoa da Dra. Teresa Cristina Moesh, são grandes parceiros das causas justas. Generosidade que as outras academias sempre tiveram para comigo e meus alunosa, a UFRJ, a UERJ, a PUC-RJ e PUC-RS, a UFSC, a UFPA, a UFPR, a UnB, UNICeuB e o IDP, e em especial, a USP, na pessoa da Profa. Dra. Elza Boiteux, que nos acompanha nesta cerimônia, representando a sociedade civil. Queria agradecer também à Sociedade Brasileira do Direito Internacional, na pessoa da amiga e co-autora Nádia de Araújo, e com um carinho muito especial, agradecer àInternational Law Association, que me honra com a Presidência do Comitê de Proteção Internacional dos Consumidores, e a Diretoria da International Law Association-Branch Brazil, na pessoa da amiga e professora de Minas Gerais, Susana Viera, cuja presença me sensibiliza e alegra, a demonstrar que a beleza do direito do consumidor, do direito ambiental, dos novos direitos fundamentais e do direito internacional não está somente na Justiça e nos livros, mas está na vida e na amizade que cria e que nos une a todos.
Neste sentido, permitam-me agradecer, por fim, aos outros colegas da Associação dos Ex-Bolsistas da Alemanha, ao Min. Gilmar Mendes, Marcelo Neves, Willis Guerra, Juarez Tavares, Rosa Nery e Nelson Nery Júnior, a recepção calorosa no Brasil que merecei. Quem experimenta a ciência e a vida acadêmica alemã, sabe valorizar a igualdade de chances que lá aprendemos, destacar o talento de cada um e valorar a ajuda recebida no seu retorno ao Brasil. Permitam-me assim expressar aos colegas de AEBA-RS e do Dialogforum der Zivilgesellschaft Deutschland-Brasilien, Professores Abilio Baeta Neves, Gilmar Mendes, Franklin Trein, Draiton Gonzaga de Souza, Ingo Wofgang Sarlet e ao querido ex-reitor da UFRGS, magnífico Prof. Gerhard Jacob, a expressão de meu mais profundo agradecimento, por este belo mosaico que criou uma frutosa cooperação internacional.
Exmo Senhor Consul-Geral: se viaja sempre de um ponto a outro. Em um mundo abalado pela falta de valores certos, agradeço aos valores e ao carinho que recebi em minha família, de minha mãe Agueda Lia Schamann Lima e de meu saudoso pai, Hugo Piaguassu Fagundes Marques, que me guiaram por tantos caminhos, sempre com humanismo, respeito à autonomia e à ética. Por seu exemplo, plantei com pensada generosidade e sincera esperança de ajudar e acabei recebendo muito mais do que plantei. Muito agradeço a todos que me ajudaram e ajudam neste caminhar, cheio de maravilhosos encontros e frutuosos diálogos interculturais.
Meu caminhar me levou à Floresta negra de Freiburg am Breisgau, à pequena ilha do Neckar em Tübingen, às ruínas romanas próximas a Saarbrücken, ao caminho dos Filósofos, o Philosophenweg, em Heidelberg…Mas, para mim uma viagem sempre começa e termina em Porto Alegre e na minha pequena família. Neste sentido quero terminar esta já longa viagem destacando o meu mais importante destes ‘encontros’ na Alemanha, o encontro com meu querido marido e companheiro, Johannes Doll. Johannes, tu és o porto seguro de minha harmonia, minha união permanente com a Alemanha, pai amoroso de Pedro e Tobias, pedra-base de minha alegria: este Verdienst é também teu mérito. Tu és o melhor companheiro de viagem de todos e o maior presente que a Alemanha me deu!
Exmo. Senhor Consul-Geral, devo efetivamente muito à Alemanha e agora mais ainda por esta honra e distinção. Sensibilizada e feliz por estepara mim muito valioso reconhecimento do governo da Alemanha. Queria agradecer-lhe profundamente, em meu nome pessoal e de minha família, esta bela comenda, assegurando-lhe que foi um prazer este caminho, estes encontros e este frutuoso diálogo com os amigos e colegas da Alemanha! E agradeço penhoradamente mais esta alegria, este Bundesverdienstkreuz, símbolo de união (Bund) com a Alemanha e do espírito de servir (Dienst). Por favor, transmita a todos que propuseram e colaboraram para que chegássemos juntos aqui, o meu mais sincero agradecimento! Vielen, Vielen Danke!



